Internacional
EUA prometem reação após STF condenar Bolsonaro por tentativa de golpe
O secretário do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, criticou duramente a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão por participação em uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Em declaração nesta quinta-feira (11), Rubio classificou a decisão como “perseguição política” e atacou diretamente o ministro Alexandre de Moraes, relator de diversos processos relacionados ao caso. “As perseguições políticas do violador de direitos humanos Alexandre de Moraes, sancionado, continuam, já que ele e outros membros do STF decidiram injustamente pela prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro”, afirmou Rubio. Promessa de reação dos EUA O chefe da diplomacia norte-americana ainda prometeu que o governo dos EUA “responderá de forma adequada a essa caça às bruxas”, em referência ao julgamento. A fala amplia a tensão entre Brasília e Washington, em um momento em que o Brasil vive um de seus episódios jurídicos e políticos mais marcantes desde a redemocratização. Com a decisão desta semana, Bolsonaro se tornou o primeiro ex-presidente do Brasil a ser condenado por tentativa de golpe de Estado. Ele e outros aliados foram responsabilizados por crimes que, segundo a Procuradoria-Geral da República, buscavam abolir violentamente o Estado Democrático de Direito e impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. Os crimes imputados pelo STF foram: Organização criminosa armada; Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito; Golpe de Estado; Dano qualificado pela violência e grave ameaça; Deterioração de patrimônio tombado. Contexto político A reação de Rubio insere a condenação de Bolsonaro no tabuleiro geopolítico. A depender da postura da Casa Branca, a questão pode ganhar dimensão internacional, ampliando o impacto da decisão judicial brasileira. Enquanto Bolsonaro ainda tenta reverter a sentença por meio de recursos, o episódio já marca a história política do país — e agora também entra na pauta da diplomacia entre Brasil e Estados Unidos.
Governo brasileiro reage a ameaça dos EUA em meio a julgamento de Bolsonaro
O Ministério das Relações Exteriores condenou as declarações do governo dos Estados Unidos, que mencionou a possibilidade de uso de sanções econômicas e até de força militar em meio ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de outros sete réus pela chamada trama golpista no Supremo Tribunal Federal (STF). Na nota oficial, o Itamaraty afirmou que o Brasil repudia qualquer interferência estrangeira em sua soberania. “O primeiro passo para proteger a liberdade de expressão é justamente defender a democracia e respeitar a vontade popular expressa nas urnas. É esse o dever dos três Poderes da República, que não se intimidarão por qualquer forma de atentado à nossa soberania. O governo brasileiro repudia a tentativa de forças antidemocráticas de instrumentalizar governos estrangeiros para coagir as instituições nacionais”, diz o comunicado. O texto foi divulgado na noite de terça-feira (9), algumas horas após declarações da secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt que citou o julgamento de Bolsonaro. Segundo ela, a liberdade de expressão é prioridade máxima para Washington: “O presidente [Donald Trump] não tem medo de usar o poderio econômico e militar dos Estados Unidos da América para proteger a liberdade de expressão em todo o mundo”, disse, segundo a agência Reuters. Julgamento no STF Enquanto isso, no Supremo, a Primeira Turma retomou o julgamento da trama golpista. O relator Alexandre de Moraes e o ministro Flávio Dino votaram pela condenação de Bolsonaro e dos demais réus. Votam ainda Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. A sessão foi retomada nesta quarta-feira (10).
Carlo Acutis: o primeiro santo millennial e ‘influencer de Deus’
No dia 7 de setembro de 2025, o Papa Leão XIV canonizou Carlo Acutis, o jovem italiano conhecido como “influencer de Deus”, tornando-o oficialmente o primeiro santo da geração millennial. A celebração aconteceu em uma missa solene ao ar livre na Praça de São Pedro, no Vaticano, que reuniu milhares de fiéis de todo o mundo — especialmente muitos jovens devotos de Acutis, que carregavam estampas com sua imagem. O momento repleto de emoção foi coroado com fortes aplausos quando o Papa proferiu a fórmula de canonização em latim. O legado de Carlo Nascido em Londres em 3 de maio de 1991, Carlo se mudou com a família para Milão logo após. Desde os 7 anos, após sua Primeira Comunhão, passou a se dedicar intensamente à fé — resumida em sua frase célebre: “A Eucaristia é o meu caminho para o Céu”. Apaixonado por programação, Carlo desenvolveu-se rapidamente como autodidata na área de tecnologia e criou um site multilinguístico que documentava milagres eucarísticos reconhecidos pela Igreja — um feito excepcionalmente inovador para alguém tão jovem. Milagres e canonização A canonização foi possível graças ao reconhecimento de dois milagres atribuídos à sua intercessão: a cura de um menino brasileiro e de uma jovem na Costa Rica. Inicialmente prevista para abril de 2025, durante o Jubileu dos Adolescentes, a cerimônia foi adiada devido ao falecimento do Papa Francisco — que fora um grande defensor da causa de Carlo — e efetivada apenas em setembro. Um símbolo para os jovens católicos A canonização de Carlo Acutis ecoa profundamente entre os jovens católicos e simpatizantes da fé conectada ao universo digital. Sua mistura de espiritualidade, simplicidade juvenil e domínio tecnológico o transformaram num modelo inspirador que mostra como tecnologia e fé podem caminhar lado a lado.
Estilista italiano Giorgio Armani morre aos 91 anos
Giorgio Armani morre aos 91 anos. Ícone da moda mundial, o estilista italiano deixa um império de luxo independente e relações marcantes com celebridades.
Com oposição da França, UE vai propor acordo comercial com o Mercosul
Depois de 25 anos de negociações, o aguardado acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) está prestes a viver um momento decisivo. A Comissão Europeia deve apresentar o texto nesta quarta-feira (3), abrindo caminho para o processo de aprovação no Parlamento Europeu e entre os governos nacionais do bloco. A votação, no entanto, está longe de ser garantida. Para entrar em vigor, o acordo precisa do aval de 15 dos 27 países da UE, que representem ao menos 65% da população do bloco, além da aprovação parlamentar. Um acordo histórico em números Considerado pela Comissão Europeia como o maior acordo já firmado em termos de reduções tarifárias, ele promete abrir espaço para um novo fluxo de comércio entre dois blocos que juntos reúnem mais de 700 milhões de pessoas. Alemanha e Espanha estão entre os principais defensores, enxergando na parceria uma saída para reduzir perdas provocadas pelas tarifas dos EUA sob Donald Trump e, ao mesmo tempo, diminuir a dependência europeia da China, sobretudo em minerais estratégicos como o lítio, essencial para baterias e transição energética. Desde a reeleição de Trump em 2024, a União Europeia intensificou sua estratégia de diversificação comercial, acelerando negociações com Índia, Indonésia e Emirados Árabes Unidos, além de fortalecer acordos já existentes com Reino Unido, Canadá e Japão. Nesse cenário, o Mercosul aparece como peça-chave. França lidera a oposição O maior obstáculo ao acordo vem de dentro da própria UE. A França, maior produtora de carne bovina do bloco, lidera a oposição, classificando o tratado como “inaceitável”. Agricultores franceses — e também de outros países — argumentam que a entrada de commodities sul-americanas a preços mais baixos, especialmente a carne bovina, colocaria em risco o setor agrícola europeu e não atenderia aos padrões de segurança alimentar e ambientais exigidos na Europa. As críticas não param por aí. Grupos ambientalistas também rejeitam a proposta. A organização Friends of the Earth chegou a chamá-lo de “acordo destruidor do clima”, afirmando que poderia incentivar o desmatamento e a expansão da produção intensiva de commodities no Brasil e em outros países do Mercosul. Onde o acordo pode travar No Parlamento Europeu, Verdes e partidos da extrema direita já sinalizaram resistência. E mesmo entre os governos nacionais, não há consenso. Caso Itália e Polônia se alinhem à França, por exemplo, o acordo dificilmente alcançaria a maioria qualificada necessária. O que está em jogo Apesar das críticas, os defensores enxergam no tratado uma oportunidade única: Para a Europa: abrir um mercado promissor para automóveis, máquinas e produtos químicos, além de ampliar a exportação de queijos, vinhos e presuntos com tarifas reduzidas. Para o Mercosul: conquistar acesso preferencial a um dos maiores mercados do mundo, fortalecendo exportações agrícolas e ampliando sua presença global. Mais do que comércio O debate em torno do acordo UE–Mercosul mostra que ele vai muito além das tarifas. Trata-se de uma disputa que envolve geopolítica, meio ambiente, agricultura e identidade europeia. Enquanto uns o veem como oportunidade de modernização e integração, outros temem que represente riscos para agricultores e para as metas ambientais. Se aprovado, o pacto poderá redefinir o lugar do Mercosul no comércio global e marcar uma nova fase nas relações entre Europa e América do Sul. Se rejeitado, será mais um capítulo na longa e conturbada história de negociações que já dura um quarto de século.
SOBRE
Sobre Clarissa
Clarissa Marinho é jornalista e atriz, o que somados esses dois talentos proporciona confiabilidade na mensagem e versatilidade na apresentação.
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